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Caos, naufrágio e nada de ficar satisfeito

"O animal satisfeito morre" A satisfação no trabalho é algo que até hoje me assusta por causa do contentamento que ela provoca. Fugir desse incomodo é a única saída na busca do verdadeiro “sucesso” profissional.

Quando li a frase de Guimarães Rosa “o animal satisfeito morre” em um dos livros do professor Cortella, suspirei e fiquei pensando no impacto que ela teve sobre minha forma de pensar nesse momento de minha vida. São frases assim que só bons livros podem nos oferecer. – É um clichê? Sim! Continuemos. Tenho medo de cair em monotonia existencial, ficar satisfeito dentro de um processo engessado e burocrático demais. Esse tipo de processo em atividade profissional já aconteceu comigo e foi péssimo, uma das piores experiências de minha vida e foi bem complicado para sair dela.

Eu preciso tentar recriar hábitos, tarefas e metas o tempo todo para fugir dessa tal monotonia existencial. O que acontece é que as pessoas dentro dos seus locais de trabalho acabam entrando nesse ciclo vicioso por conta da estrutura de um processo, sem gestão, burocrático demais e sem visão de futuro. É como apertar o botão vermelho e cair em desagrado gerando falhas, vontades e porra louquices. Nunca espero conforto, mesmo quando as condições parecem favoráveis, mas na verdade todos nós sabemos que as condições nunca são favoráveis.

Falando em monotonia, burocracia e porras louquices, assumir um projeto que teve tudo isso junto e ainda aprendi muito sobre erros de processos, sobre falhas - quando não se executa de forma correta ou quando se negligencia um planejamento de meses.  – Quando a projeção de um tiro é de curta distância, precisa-se entender se vale a pena apertar o gatilho. Correr o risco as vezes é a única saída de se chegar onde se quer. Navegar é preciso, mesmo que seja por águas turbulentas de correntezas, cheias de redemoinhos, com ondas gigante na madrugada, com tempestades, tubarões e monstros marinhos.

Imagine o caos durante essa navegação com uma tripulação inteira sem capacitação para emergência em embarcações nos momentos de intempéries. Imaginou? É bronca, amigo. Por não nascer preparado, busquei mais energia, observar comportamentos e resolvi experienciar essa loucura que é navegar quase que à deriva, sem integração marítima nenhuma, mas é como diz a história a situação faz o homem e ai eu fui.

Foi porra louquice suficiente para encarar de frente algumas situações que a vida vai te empurrando de acordo com as necessidades impostas pelo momento. Todavia, tripulação peitou todos os problemas, águas turbulentas de correntezas, redemoinhos, ondas gigantes na madruga, tempestades, tubarões, monstros marinhos e foi feito o possível para continuar a navegar até o naufrágio. Esse afundamento que no início da navegação já enfrentávamos ferozmente. Aprender com os erros é melhor do que nunca ter afundando o navio e ter que passar por obstáculos da vida. De uma vez por todas, o que aconteceu nesse último ano em minha vida foi tudo, menos monotonia existencial e satisfação. Pois, bem. Ficar satisfeito com o trabalho executado no meio desse caos é algo que não é permissível e nunca será.

Problemas de comportamentos tivemos muitos e talvez essa tenha sido a maior dificuldade. Não sou uma pessoa morna quando assumo um posto.

“Os mornos serão vomitados” isso é dito em Apocalipse 3:15-16 diz:
3.15. Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! 3.16. Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.

Não existe frieza aqui ou muito menos algo cálido. Eu vou para cima. Eu crio regras, metas e atiro de perto da forma que se pede o momento. Existe um pequeno ditador dentro de mim que passa por cima de quem quer ir contra as regras postas pelo coletivo que deve ser arquitetado para o bem maior. Não sou de ficar em pé no muro olhando o que acontece, tomo decisões que acredito ser as melhores e conto com um grupo de camaradas que dedico minha inteira lealdade. O que incomoda e dá raiva é quando algum ser superior estraga com o planejamento elaborado, sendo assim, a cólera toma conta de algo que é bem maior que um posto ou atividade de um projeto em execução e parar para e pensar no meio de um caos em processo é para poucos. Não cheguei nesse nível de amadurecimento de calmaria, quando estou no meio do furação eu sou o vento. E vento em velocidade sai derrubando tudo que encontra pela frente. A política, definitivamente, não é para amadores e ela deixa facilmente barcos, ditadores e coletivos nos braços de Poseidon depois do naufrágio.

Admito os erros para corrigi-los sem ressentimentos e me preparo para outra luta, outros projetos e planos futuros, talvez, até achando que não haverá uma próxima, não sem bons acordos feitos em papeis timbrados com tinta de caneta de pena rubricando todas as folhas.

Continuo achando que não se deve dar brechas para inimigos. Os inimigos devem ser tratados como inimigos, não são parceiros, não são agregadores, não são produtivos dentro do processo evolutivo de coletividade e luta. São coronéis de causas próprias, eu dito as regras postas por um coletivo e assim sempre será.  

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Imagem gerada por IA. *DALL·E 2025-02-19 20.33.06 - Uma cena dramática de um navio à deriva no meio de uma tempestade feroz. Ondas gigantescas engolem partes da embarcação, enquanto raios iluminam o céu


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