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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

O Encontro

A fumaça do cigarro que Cocota desfrutava não incomodava. No carro o som era da banda Ave Sangria. No retrovisor uma foto 3x4 da minha querida avó que tinha partido para outro plano espiritual há pouco. Seguíamos para a cidade de Triunfo para curtir o seu famoso festival de música. Alegres e cantando Geórgia, a Carniceira; “ Geórgia,   A Carniceira dos pântanos frios das noites do Deus satã, jogando boliche com as cabeças das moças mortas de cio, no levantar das manhãs de abril” ... Entre paisagens, bodes, caminhantes e placas enferrujadas cheias de buracos de bala, que apontavam a direção do nosso destino, ao chegarmos ao quilômetro 110, eram 09hs da manhã. Cocota passou cantando a plenos pulmões, para o companheiro ao lado um “Góia”. O vento que soprava veloz através da janela aberta fez deslocar um minúsculo resto de brasa, que queimando meus olhos. No reflexo ao tentar tirar o incômodo acabei perdendo o controle do carro. Capotamos e a violência do carro girando, nã...

A Fúria

(...) Então ele me olhou, sentou ao lado e deu dois tapinhas sobre meu joelho direito, era um movimento de alerta e falou. - A Noroeste nasce o Rio que banha a cidade, de cor amarela purulenta, é a podridão da aristocracia. A lama e o caos reinará por toda a existência desse local. Sobre essa terra vi coisas acontecerem longe, muito longe em um tempo do vento ululante que não dará trégua, acompanhado do mar revolto ao leste que vem espalhando sua fúria. Depois de uma pausa, respirou e contou. - Na montanha mais alta a Sudeste eu vi um Gigante de sobrancelhas fartas com pelos que caiam sobre a parte lateral de sua face, olhos grandes e negros como a mais pura pérola que miravam a pequena Aldeia em sua volta. O Gigante gritava cerrando os punhos e toda sua cólera se debruçava sobre o pequeno povoado que no início do arruado uma Igreja servia para refúgio, pensavam os aldeões, nas laterais, desse arruado, algumas cabanas feitas de taipa com telhados de sapê cobertos por palhas de Banane...

Caos, naufrágio e nada de ficar satisfeito

"O animal satisfeito morre" A satisfação no trabalho é algo que até hoje me assusta por causa do contentamento que ela provoca. Fugir desse incomodo é a única saída na busca do verdadeiro “sucesso” profissional. Quando li a frase de Guimarães Rosa “o animal satisfeito morre” em um dos livros do professor Cortella, suspirei e fiquei pensando no impacto que ela teve sobre minha forma de pensar nesse momento de minha vida. São frases assim que só bons livros podem nos oferecer. – É um clichê? Sim! Continuemos. Tenho medo de cair em monotonia existencial, ficar  satisfeito dentro de um processo engessado e burocrático demais. Esse tipo de processo em atividade profissional já aconteceu comigo e foi péssimo, uma das piores experiências de minha vida e foi bem complicado para sair dela. Eu preciso tentar recriar hábitos, tarefas e metas o tempo todo para fugir dessa tal monotonia existencial. O que acontece é que as pessoas dentro dos seus locais de trabalho acabam entrando nesse c...