(...) Então ele me olhou, sentou ao lado e deu dois tapinhas sobre meu joelho direito, era um movimento de alerta e falou. - A Noroeste nasce o Rio que banha a cidade, de cor amarela purulenta, é a podridão da aristocracia. A lama e o caos reinará por toda a existência desse local. Sobre essa terra vi coisas acontecerem longe, muito longe em um tempo do vento ululante que não dará trégua, acompanhado do mar revolto ao leste que vem espalhando sua fúria. Depois de uma pausa, respirou e contou.
- Na montanha mais alta a Sudeste eu vi um Gigante de sobrancelhas fartas com pelos que caiam sobre a parte lateral de sua face, olhos grandes e negros como a mais pura pérola que miravam a pequena Aldeia em sua volta. O Gigante gritava cerrando os punhos e toda sua cólera se debruçava sobre o pequeno povoado que no início do arruado uma Igreja servia para refúgio, pensavam os aldeões, nas laterais, desse arruado, algumas cabanas feitas de taipa com telhados de sapê cobertos por palhas de Bananeiras.
Os aldeões sobreviviam
sob a ordem dos Burgueses em nome do altíssimo. Tratados como ratos viviam em
enfermo e mais desgraças caiam a todo tempo sobre eles. Aquele gigante na montanha, ele nunca
adormecia.
A vida trágica do
inconsciente humano que permitia a todo tempo receber ordens do mais rasteiro dos homens e total controle sobre o povo adoecido. O
Rio fede e continua traçando seu caminho, ele não desaguará no mar do leste, nem em
oceano nenhum. Uma gruta escura o engolia sem vida; Para quê serve um rio sem
peixe que pula, sem vida que solta? A gruta profunda, gelada, recebia e saboreava o
líquido morto do caos.
Na montanha observo o gigante caçando, percebo algo e me escondo entre as Sapucaias longas. De forma ligeira entro na área alagada escondendo-se entre as Oxibatas. Vagando escondido por baixo delas em meio a Curcurana procuro um caminho para não ser visto e encontro uma caverna. Acautelando-me entre gritos estrondosos do gigante, que não para a sua danação em nenhum momento, e parece que nunca o cessará. Atendendo o chamado que só os curiosos sabem e penetro sem medo.
A Caverna por muito
tempo escondia o que talvez fosse o entendimento de toda aquela iracúndia que
permanecia sobre a cidade. Desenhos de criaturas nas paredes mostravam a
poranduba e cada vez mais era perceptível que agrura viverá sobre aquela gente.
Relatos passados,
mitológicos até mesmo antes da sua criação, apresentam a existência do Gigante
e assim também o motivo de seu ímpeto incessante que alcançava o pensamento dos
homens que ainda nem existiam.
Em um instante percebi
algo, era o silêncio que de forma surpreendente se fez presente, sem os gritos
do temido Titânico que olhava de forma temerosa para o céu. Os meus ouvidos
sopravam o som do sossego e pensei que por instantes eles, os aldeões, teriam
trégua. A atenção estava agora voltada para fora da caverna para cima do
cruzeiro. Depois do silêncio, a luz que brilhava de forma intensa entre as
nuvens era o motivo dos gritos irados do Titã da montanha. Quando então eis que
vi uma coisa nova, no meio da luz ele se fez presente do alto do céu entres as
mais nebulosas nuvens...
Depois do revelado e
de forma abrupta, o homem parou sua narrativa e com apenas um suspiro colocou a mão
sobre meu ombro, olhou para a cova por trás de nós deixando-se cair em decúbito
dorsal e se foi na escuridão do sepulcro.

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